terça-feira, setembro 09, 2008

A grande arte nasce da dor das ilusões perdidas

Por Rafita Escobar

Confesso que fiquei totalmente desorientada quando a professora de Redação Jornalística III, solicitou dos alunos um artigo sobre ilusões perdidas. No começo fiquei sem saber o que escrever ou falar, então, resolvi pesquisar na internet tudo que me referi a dor das ilusões perdidas, que venha a afetar outras pessoas como aconteceu comigo.

Vamos começar o artigo, decifrado primeiro o que é desilusão e o que é ilusão? Desilusão: essa expressão nada mais é que, um fenômeno exclusivo do ser humano, decepção, desesperanças, ou seja, pressupor que nos enganamos com alguém. Já a ilusão é o que a realidade faz com você, é a vontade utópica e exclusivamente imaginária, fruto do desvario enlouquecido do cérebro, sem fundamento no universo, no entorno que nos cria e nos envolve.

Do homem, eu espero a virtude divina ou a horrenda perversidade; da vida, ou a beleza mais arrebatadora ou o mais completo horror; e estava cheio de avidez por tudo isso e de uma saudade profunda, atormentada, por uma realidade mais ampla, por uma experiência não importa de que gênero fosse uma ventura gloriosa ou uma angústia indizível.

Para mim a nossa vida consiste inteiramente em ilusões perdidas, pois, por toda vida, nos desiludimos com as estrelas que criamos, com os sonhos que inventamos, com o Sol que escolhemos para adorar, é, a vida vivida de quem se apaixona por pessoas erradas. Em cada desilusão, nasce a possibilidade de um amor verdadeiro. Mas, o que falar sobre amor verdadeiro, será que ele existe mesmo??? Será que existe mesmo a verdade??? Se muitas vezes percebo que as verdades se perdem em meio a caminhos pedregosos. O que dizer das ilusões, que pos si só não passam de vagas inacabadas, mesmo não tendo se perdido ainda?

A verdade, é que somos filhos de um mundo desiludido, onde para muitos o significado de ilusão nada mais é do que seu amor para com o outro. As crises de identidade, o fato é que ilusões perdidas são tudo aquilo que você não consegue realizar e satisfazer, são desejos repartidos, é o fenômeno que faz que a ficção se torne real e verídico. Viver só na fantasia... é um passo para a loucura.

Como diz Honoré de Balzac, “O ódio, tal como amor, alimenta-se com as menores coisas, tudo lhe cai bem. Assim como a pessoa amada não pode fazer nenhum mal, a pessoa odiada não pode fazer nenhum bem”.

Nós mesmos devemos nos achar especiais, pois quem lhe faz se sentir especial, lhe faz sentir-se amado, e não há sentimento melhor no mundo, do que amar e ser amado. O certo é que as pessoas têm que deixar de se sentir iludido, inseguro, ou inferior, significa que não gosta nem de si mesmo. Se tivermos uma base forte, sobreviveremos. A confiança básica se manterá sólida, nos dará forças e coragem para buscar novas ilusões, fantasias, cada vez mais viáveis e realizáveis. É a aprendizagem pela dor vivenciada, a desilusão experimentada, sofrida, mas que nos fortalece.

Não sei você, mas me sinto como Freud quando diz “o amor tende a funcionar como modelo de busca da felicidade e reconhecera sua natureza ilusória no sentido de consolar e tornar tolerável o mal-estar próprio do desejo humano”. Embora, não deixa de ser notável que tanto perplexos quanto os que perderam suas ilusões confundam as críticas pertinentes com cobranças equivocadas.

Talvez o maior equivoco dos desiludidos consiste na amargura por um desprezo atroz, por um leito abandonado, relegado. “Isso me faz lembrar o que um escritor inteligente e super-dinâmico” escreveu um dia – A grande arte nasce da dor das ilusões perdidas, não da alegria.

A Arte que brotou da terra hoje se transformou em Museu



Por Rafita Escobar



Cuiabá resgata mais uma tradição cultural da cidade, o antigo Morro da Caixa D’água Velha. Após o tombamento do patrimônio histórico e a recuperação da Caixa D’água, que está localizada na Rua Comandante Costa, esquina com a Nossa Senhora de Santana, no centro da capital, a população, ganha mais uma nova oportunidade de lazer e espaço que integra o circuito cultural e turístico da cidade.

Construído no governo de José Maria Alencastro, no século XIX, o Morro da Caixa D’Água Velha foi entregue a população cuiabana em novembro de 1882, na época era apenas um reservatório que abasteciam mais de 20 mil moradores que habitavam na capital Mato-grossense.

Por não se ter água encanada e as fontes naturais se encontravam contaminadas, foi preciso criar uma maneira para mudar essa situação, designando assim o Morro da Caixa D’água Velha. Nesta época o morro da Caixa D’água, que hoje é conhecido como museu, recebia água aduzida pela Hidráulica do Porto movida por máquina a vapor vindo direto do rio Cuiabá e com capacidade para armazenar um milhão de litros d’água, tornando-se a primeira e mais moderna estação de sistema de reservatório e abastecimento da cidade.O Museu foi composto por duas galerias em forma de arco e de estilo romano, foram usadas nas caixas d’água submersas, pedras canga e cristal e argamassa de areia lavada com cal virgem porque na época não existia cimento.

Natural de Barão de Melgaço, José Mario de Siqueira, explica que ao chegar a Cuiabá se surpreendeu com os benefícios que a caixa d’água trazia a população local, “o morro da Caixa D’água Velha trouxe condições de vida para a comunidade cuiabana, as pessoas passaram a ter água encanada e tratada em casa” comenta José Mario.

A Comunidade Mato-grossense neste momento estava se expandindo em crescimento e vivenciava, dessa forma, a implantação de um novo sistema de abastecimento de água potável, com canos de ferro fundidos e embutidos no subsolo, mais precisamente na área central da cidade, marcando a concepção do ambiente urbano do município de Cuiabá. A região foi reservada por muito tempo a grandes Comemorações esportivas, religiosas, carnavalescas, nascendo ali o bloco Beleza Pura e também o quarteto de cordas Rio Acima.

O reservatório foi desativado a partir dos anos 40, quando Cuiabá recebeu uma moderna estação de tratamento e distribuição de água, localizada da Av. Presidente Marques em Cuiabá.

Com 142 anos, o mais antigo reservatório de água de Cidade, foi redescoberto e hoje com a sua restauração traz um museu de peças antigas usadas no abastecimento de água tratada. Promove exposições rotativas de artistas locais e de outros estados e um deck em madeira de balanço, além de uma queda d’água transformando essa área em um significativo espaço educacional, cultural e turístico.

“O museu ficou excelente, deu uma nova cara a cidade, e com a recuperação, é considerado hoje um dos locais mais freqüentados, pois passou a ser um ponto turístico para a capital” declara a estudante de economia Mhayanne Beltrão.

Com a reinstalação de mais um ponto de referência em Cuiabá, o Museu da Caixa D’água velha passou a ser considerado um Cartão-Postal do Estado, preservando cada vez mais a memória da cidade, funciona das 14 às 18 horas, com entrada gratuita.

segunda-feira, setembro 01, 2008

MUSICA E SEUS DIVERSOS SONS


Por Nádia Regina

O fato de o contrabaixo ser usado amplamente tanto na música popular como na música de concerto, aliado à sua fundamental importância em qualquer tipo de música, faz do contrabaixo o instrumento que mais vem evoluindo, técnica e expressivamente, nos últimos anos.

“Amo a musica e vivo dela” diz, Nivaldo Nunes, musico a mais de 30 anos, contrabaixista da Orquestra Sinfônica da UFMT (OSU). “ O contrabaixo não um instrumento muito conhecido mas é um instrumento fascinante” complementa Nivaldo. O contrabaixo acústico usado normalmente em concertos, operas, musica clássica e outras. Tem suas origens remotas na Baixa Idade Média, descendente de uma família chamada "violas", que se dividia em dois grupos, violas de braço e violas de pernas, o contrabaixo é hoje o herdeiro maior e de som mais grave deste segundo grupo.

Aproximadamente na metade do séc. XV, começou-se a usar o registro do baixo, que até então era desconsiderado. Com esta nova tendência para os graves, os músicos precisavam de instrumentos especiais capazes de reproduz ir ou fazer soar as partes graves. A solução encontrada pelos construtores de instrumentos, os luthiers, foi simplesmente reconstruir os instrumentos existentes, mas em escala maior. Ocorre, então, uma evolução técnica e artística de um instrumento em conjunto com a história da música.

Com o desenvolvimento da música popular no final do séc. XIX, principalmente no que diz respeito ao jazz, inicia-se assim a introdução do contrabaixo com uma inovação: ele não era tocado com arco, apenas com os dedos a fim de que tivesse uma marcação mais acentuada.

Ao longo de sua historia ele conquista o seu espaço e seu prestigio, trazendo fascínio ao som grave entoado. Em Mato Grosso o contrabaixo chegou a mais de 25 anos quando a OSU ainda não estava formada ela era apenas uma banda sinfônica, Nivaldo Nunes e mais dois foram os únicos que se interessaram nesse instrumento. Hoje a orquestra compõe de todos os instrumentos e músicos sem faltar o contrabaixo acústico.

O contrabaixo é o único instrumento da família das cordas que está em visível evolução. Já não é mais aquele instrumento que não aparecia e tinha uma função exclusiva de apoio.
Também já não é mais um instrumento onde se tocam apenas escalas e arpejos em repertório antiquado, e já desgastado, por ser o mesmo repertório tocado e gravado por todos os músicos que se dedicaram ao baixo acústico.
Hoje, formam-se grupos só com contrabaixos, jovens estudam o repertório solista, músicos populares exibem técnica nunca vista e eventos como os Encontros Internacionais de Contrabaixistas provam a ascensão do baixo.

A cada dia, novas técnicas de execução surgem como, por exemplo, o uso de 3 dedos na mão direita, ou tocar com a mão direita diretamente sobre o espelho, e muitas outras que estão sendo utilizadas pelos grandes nomes do contrabaixo. Isso faz com que o baixo evolua na sua concepção, use cordas, espelho e regulagens muito diferentes das antigas, e apareça cada vez mais nos grupos.
O violino (assim como toda a família das cordas) não mudou nada em sua construção, em seu modo de execução e em sua aplicação na música nos últimos 200 anos ou mais. Já estão passando para a categoria dos instrumentos chamados "antigos" como o alaúde, a viola da gamba, violone e outros que também pararam no tempo. Isso não ocorre com o contrabaixo.