
Por Nádia Regina
O fato de o contrabaixo ser usado amplamente tanto na música popular como na música de concerto, aliado à sua fundamental importância em qualquer tipo de música, faz do contrabaixo o instrumento que mais vem evoluindo, técnica e expressivamente, nos últimos anos.
“Amo a musica e vivo dela” diz, Nivaldo Nunes, musico a mais de 30 anos, contrabaixista da Orquestra Sinfônica da UFMT (OSU). “ O contrabaixo não um instrumento muito conhecido mas é um instrumento fascinante” complementa Nivaldo. O contrabaixo acústico usado normalmente em concertos, operas, musica clássica e outras. Tem suas origens remotas na Baixa Idade Média, descendente de uma família chamada "violas", que se dividia em dois grupos, violas de braço e violas de pernas, o contrabaixo é hoje o herdeiro maior e de som mais grave deste segundo grupo.
Aproximadamente na metade do séc. XV, começou-se a usar o registro do baixo, que até então era desconsiderado. Com esta nova tendência para os graves, os músicos precisavam de instrumentos especiais capazes de reproduz ir ou fazer soar as partes graves. A solução encontrada pelos construtores de instrumentos, os luthiers, foi simplesmente reconstruir os instrumentos existentes, mas em escala maior. Ocorre, então, uma evolução técnica e artística de um instrumento em conjunto com a história da música.
Com o desenvolvimento da música popular no final do séc. XIX, principalmente no que diz respeito ao jazz, inicia-se assim a introdução do contrabaixo com uma inovação: ele não era tocado com arco, apenas com os dedos a fim de que tivesse uma marcação mais acentuada.
Ao longo de sua historia ele conquista o seu espaço e seu prestigio, trazendo fascínio ao som grave entoado. Em Mato Grosso o contrabaixo chegou a mais de 25 anos quando a OSU ainda não estava formada ela era apenas uma banda sinfônica, Nivaldo Nunes e mais dois foram os únicos que se interessaram nesse instrumento. Hoje a orquestra compõe de todos os instrumentos e músicos sem faltar o contrabaixo acústico.
O contrabaixo é o único instrumento da família das cordas que está em visível evolução. Já não é mais aquele instrumento que não aparecia e tinha uma função exclusiva de apoio.
Também já não é mais um instrumento onde se tocam apenas escalas e arpejos em repertório antiquado, e já desgastado, por ser o mesmo repertório tocado e gravado por todos os músicos que se dedicaram ao baixo acústico.
Hoje, formam-se grupos só com contrabaixos, jovens estudam o repertório solista, músicos populares exibem técnica nunca vista e eventos como os Encontros Internacionais de Contrabaixistas provam a ascensão do baixo.
A cada dia, novas técnicas de execução surgem como, por exemplo, o uso de 3 dedos na mão direita, ou tocar com a mão direita diretamente sobre o espelho, e muitas outras que estão sendo utilizadas pelos grandes nomes do contrabaixo. Isso faz com que o baixo evolua na sua concepção, use cordas, espelho e regulagens muito diferentes das antigas, e apareça cada vez mais nos grupos.
O violino (assim como toda a família das cordas) não mudou nada em sua construção, em seu modo de execução e em sua aplicação na música nos últimos 200 anos ou mais. Já estão passando para a categoria dos instrumentos chamados "antigos" como o alaúde, a viola da gamba, violone e outros que também pararam no tempo. Isso não ocorre com o contrabaixo.